{"id":1461,"date":"2025-10-21T10:59:19","date_gmt":"2025-10-21T13:59:19","guid":{"rendered":"https:\/\/pontocomletra.nossopapel.org.br\/?p=1461"},"modified":"2025-12-02T13:24:52","modified_gmt":"2025-12-02T16:24:52","slug":"um-mestre-contador-de-historias-laura-esteves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pontocomletra.nossopapel.org.br\/?p=1461","title":{"rendered":"Livro: ING\u00caNUOS, PUERIS E TOLINHOS &#8211; Luiz Ot\u00e1vio Oliani"},"content":{"rendered":"\n<p>UM MESTRE CONTADOR DE HIST\u00d3RIAS Laura Esteves*<\/p>\n\n\n\n<p>Escrever \u00e9 ter pontaria&#8230;Em outras palavras \u00e9 pegar pelo rabo o lapso do bom senso&#8230;Jo\u00e3o Gilberto Noll \t<\/p>\n\n\n\n<p>Em meados de fevereiro de 2020, bastante curiosa, recebi das m\u00e3os de Luiz Ot\u00e1vio Oliani os originais de \u201cIng\u00eanuos, Pueris, Tolinhos\u201d. J\u00e1 havia lido e relido, anteriormente, seu primeiro livro de minicontos \u201cA vida sem disfarces\u201d e j\u00e1 conhecia, tamb\u00e9m, seus belos poemas.     \t<\/p>\n\n\n\n<p>No decorrer da leitura fui assaltada por diferentes sentimentos: alegria, tristeza, compaix\u00e3o, espanto. \u00c9 que Oliani sabe, e muito bem, retirar pepitas do seu cotidiano e transform\u00e1-las emarte, em escrita.  \tSeus personagens surgem da observa\u00e7\u00e3o do dia a dia: fam\u00edlia, rua, escola, padaria, supermercado&#8230; Ali, est\u00e3o professores, alunos, pais, filhos, situa\u00e7\u00f5es de bullying, de invers\u00e3o de valores, crian\u00e7as ansiosas&#8230; \t<\/p>\n\n\n\n<p>Viv\u00eancias infantis, seu principal enfoque. \u00c9 quando o autor, como ele mesmo diz na apresenta\u00e7\u00e3o do livro, se torna crian\u00e7a tamb\u00e9m e procura se conhecer mais. \t<\/p>\n\n\n\n<p>Aprender\/ ensinar \/transformar em arte. Trin\u00f4mio perfeito!     \t<\/p>\n\n\n\n<p>Essa, a proposta do nosso professor- escritor.\tE a arte do miniconto, n\u00e3o \u00e9 para qualquer um. Pressup\u00f5e excelente dom\u00ednio da palavra. \u00c9 a s\u00edntese da criatividade.\t<\/p>\n\n\n\n<p>Concis\u00e3o, subtexto, sugerir sem dizer tudo e criar uma trama certeira, deixar o leitor preencher os espa\u00e7os em branco, o n\u00e3o dito. \t<\/p>\n\n\n\n<p>Vejamos:<\/p>\n\n\n\n<p>Pai ausente \t<\/p>\n\n\n\n<p> &#8211; Onde est\u00e3o seus novos \u00f3culos, filho? Foi na \u00f3tica pegar? \t&#8211; Pai, tem uma hora que o senhor t\u00e1 conversando comigo. Ainda n\u00e3o olhou para a minha cara?\t\t<\/p>\n\n\n\n<p>Na hist\u00f3ria acima n\u00e3o encontramos uma narrativa convencional. Cabe ao leitor exercitar a imagina\u00e7\u00e3o, interpretar, criar com a sua experi\u00eancia de vida, com os seus conhecimentos, o que est\u00e1 colocado por detr\u00e1s do texto, refletir sobre a situa\u00e7\u00e3o apresentada. \tE perguntas surgem, automaticamente: o que aconteceu com essa fam\u00edlia, solid\u00e3o? O que significa essa aus\u00eancia do pai, desamor?  A crian\u00e7a percebeu que sofre? Passamos a coautores do conto.\tMas, generoso, nosso escritor, com maestria, utiliza recursos que facilitam o entendimento do texto.  Abertura, narratividade, efeito, exatid\u00e3o. E, ao final, como esperado, a perplexidade, o estranhamento.\t<\/p>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s de seus textos, somos obrigados a olhar as \u201ccoisas pequenas\u201d, que acontecem diariamente em nossas vidas e que, muitas vezes, nem percebemos.\t<\/p>\n\n\n\n<p>Em \u201cIng\u00eanuos, Pueris, Tolinhos\u201d est\u00e3o explicitados os pequenos momentos vivenciados ao longo do seu caminho como ser humano, como professor.\t<\/p>\n\n\n\n<p>Alquimista da palavra, com olhar cr\u00edtico, mistura ironia, sofrimento, alegria, ang\u00fastia, reflex\u00e3o, poesia, humor e, nos proporciona, ao final, uma po\u00e7\u00e3o m\u00e1gica de lirismo e espanto. Espanto, repito.\tAlguns textos, pelo lirismo, se aproximam da prosa po\u00e9tica, prima irm\u00e3 do miniconto. Afinal, n\u00e3o podemos esquecer que Oliani \u00e9 um poeta, um ex\u00edmio autor de versos. Reparem como a poesia est\u00e1 presente nesse belo texto abaixo, que me lembrou Galeano.A for\u00e7a da arte        <\/p>\n\n\n\n<p>  No sert\u00e3o, tudo seco: planta\u00e7\u00f5es, gado, natureza. Lavradores em desespero.Vendo a situa\u00e7\u00e3o do pai, a filha foi para a escolinha. Andou, andou e andou e, l\u00e1 chegando, pegou um papel min\u00fasculo e desenhou com tanta muita paix\u00e3o nuvens a desaguar.    Foi uma premoni\u00e7\u00e3o.   Choveu no papel e, tamb\u00e9m, na vida real. \t<\/p>\n\n\n\n<p>No conto \u201cUm pequeno passeio\u201d nosso autor se supera. \u00c9 quando ele funde o universo m\u00e1gico com a realidade \u2013 realismo fant\u00e1stico \u2013 e nos proporciona um belo texto, que, no meu caso particular, me fez retornar ao passado, \u00e0 inf\u00e2ncia, aos seis anos de idade, quando, no quintal da minha casa no Engenho Novo, eu cavava buracos. Tinha certeza de que chegaria ao outro lado da Terra. Encontraria os meus ant\u00edpodas. Ant\u00edpodas! Havia aprendido a palavra com o meu pai. Achava o m\u00e1ximo. Obrigada pela emo\u00e7\u00e3o, Oliani.\tImportante ressaltar que em toda a Literatura sempre existiu micro g\u00eaneros liter\u00e1rios. Epigramas, f\u00e1bulas, haicais, aforismos&#8230;\t<\/p>\n\n\n\n<p>Desde Edgar Alan Poe, as narrativas curtas, os minicontos, v\u00eam ganhando espa\u00e7o na Literatura. Desenvolveram-se, no s\u00e9culo XX, principalmente, nas Am\u00e9ricas e t\u00eam muito a ver com os novos tempos: blogs, celulares, internet e zaps, conquistando cada vez mais escritores e leitores.\tGrandes autores, no Brasil e no mundo, se dedicaram e se dedicam ao g\u00eanero: Marina Colasanti, Dalton Trevisan, Juan Jos\u00e9 Arreula, Augusto Monterosso. \tCongressos liter\u00e1rios, teses e antologias j\u00e1 foram dedicados ao tema.\tA mais importante antologia foi organizada por Marcelino Freire: \u201cOs cem menores contos brasileiros do s\u00e9culo\u201d.  \t<\/p>\n\n\n\n<p>Com certeza nosso Luiz Ot\u00e1vio Oliani, com seu alto poder de realiza\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, estar\u00e1 na pr\u00f3xima.\t<\/p>\n\n\n\n<p>Parab\u00e9ns poeta, professor, contista! <\/p>\n\n\n\n<p>* Laura Esteves \u00e9 poeta, contista e roteirista.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/pontocomletra.nossopapel.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG-20251021-WA0025-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1462\" srcset=\"https:\/\/pontocomletra.nossopapel.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG-20251021-WA0025-768x1024.jpg 768w, https:\/\/pontocomletra.nossopapel.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG-20251021-WA0025-225x300.jpg 225w, https:\/\/pontocomletra.nossopapel.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG-20251021-WA0025-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/pontocomletra.nossopapel.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG-20251021-WA0025.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UM MESTRE CONTADOR DE HIST\u00d3RIAS Laura Esteves* Escrever \u00e9 ter pontaria&#8230;Em outras palavras \u00e9 pegar pelo rabo o lapso do<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1462,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_layout":"default_layout","_editorskit_title_hidden":false,"_editorskit_reading_time":0,"_editorskit_is_block_options_detached":false,"_editorskit_block_options_position":"{}","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1461","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pontocomletra.nossopapel.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1461","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pontocomletra.nossopapel.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pontocomletra.nossopapel.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pontocomletra.nossopapel.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pontocomletra.nossopapel.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1461"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/pontocomletra.nossopapel.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1461\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1601,"href":"https:\/\/pontocomletra.nossopapel.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1461\/revisions\/1601"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pontocomletra.nossopapel.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1462"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pontocomletra.nossopapel.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1461"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pontocomletra.nossopapel.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1461"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pontocomletra.nossopapel.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1461"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}